Processo contra a Argentina: a Burford e o caso YPF de US$ 16 bilhões

2 de julho de 20252 min

Nacionalização da YPF: como o conflito começou

Uma história que merecia virar filme. E, como toda boa novela, começa com orgulho nacional e termina na porta de um tribunal americano.

Em 2012, o governo de Cristina Kirchner nacionalizou a petroleira YPF. A Argentina comprou o controle acionário da espanhola Repsol, mas de quebra “esqueceu” dos outros acionistas, em especial o fundo Petersen, ligado à família Eskenazi. Eles perderam a chance de vender a sua fatia (25%) e resolveram brigar… só que não sozinhos.

Burford Capital: investir em processos com retorno bilionário

Entra em cena a Burford Capital, um fundo de venture jurídico que investe em ações judiciais. Em 2015, eles compram os direitos de ação da Petersen e da Eton Park, contratam advogados e abrem uma disputa contra a Argentina em Nova York. Dez anos depois, o tribunal reconheceu: sim, houve violação de direitos. O valor da causa chegou a US$ 16,1 bilhões.

A decisão judicial em Nova York: US$ 16,1 bilhões e as ações da YPF

Hoje a corte federal de Manhattan determinou: a Argentina é obrigada a entregar 51% das ações da YPF para cumprir a decisão. O valor de mercado desses papéis gira em torno de US$ 6 a 8 bilhões. E, se não entregar por vontade própria, a Burford e o tribunal resolvem sozinhos, afinal as ações estão custodiadas num depositário americano.

Um drama jurídico com consequências globais

As ações da YPF já caíram 6%, e as da Burford dispararam 22%. Uma bela ilustração de como uma estratégia jurídica se transforma num instrumento de hedge fund.

Essa história não é só uma disputa sobre justiça. É um lembrete. Nem mesmo Estados soberanos estão a salvo do direito comercial se os seus ativos estão guardados em Nova York.

E, sim: se a Netflix fizesse uma série disso, teria tudo — petróleo, política, advogados de Wall Street, uma velha dinastia argentina, um juiz de toga preta e manchetes sobre bilhões.