Mate na Argentina: culto, água fervente e código cultural

Argentina e mate — um amor em nível de culto nacional
Na Argentina existe o culto do mate — uma espécie de chá de ervas.
Bebem em todo lugar e o tempo todo: vendedores nas lojas, motoristas de ônibus, ministros em seus gabinetinhos, médicos durante cirurgias complicadas.
Como beber mate do jeito certo e por que não dá para errar
O mate se bebe sempre recém-preparado: numa cuia especial se enfiam folhas especiais e mel especial, se posiciona com cuidado a bombilha especial e por cima se despeja a água fervente especial. Batido, não mexido!
Se um argentino sair de casa de manhã sem a sua cuia e sem a garrafa térmica com água — é praticamente como estar pelado, todo mundo vai rir dele.
Água fervente vale mais que dinheiro — ainda mais na estrada
O mate precisa ser tomado a cada cinco minutos (senão os argentinos teriam que trabalhar, e eles não curtem nada isso), por isso em cada esquina se vende água fervente para repor o estoque de água quente. E é isso mesmo que dizem os grandes cartazes: hay agua (não confundir com a frase do Milei no hay plata).
Nos postos de gasolina — um paraíso térmico para o viajante de carro
Nos postos de gasolina a solução é mais simples: instalam um grande boiler automático onde qualquer um que passa pode renovar o balanço hídrico da sua garrafa térmica com água na temperatura certa. É disso que eu me sirvo, só que não para mate.
O vovô, o café e o risco cultural
Meu avô (ele também era um viajante de estrada) sempre dizia que o mais importante numa viagem longa é um bom café specialty, e que a cidadania a gente pode até arriscar, vai que ninguém descobre.