Burning Man não é um festival, é uma transformação no deserto

Burning Man não é um festival, é uma experiência de transformação
É como se Stanford, uma rave na estepe, uma exposição de arte contemporânea e um xamã ancestral se juntassem num só corpo e resolvessem viver a sua transformação interior por você.
Pessoas que parecem sonhos
Conheci uma garota que tinha vindo de Toronto e estava convicta de que era uma bruxa. No terceiro dia, ela me entregou uma pedra e disse que ela vibrava na minha frequência. Depois dançamos ao amanhecer ao som de um tal de techno-house japonês. Na manhã seguinte, ela partiu para o deserto em busca de sentido. Não encontrei nem ela, nem o sentido. A pedra ficou.
Torrada com confiança e uma água-viva ao som de blues
Encontrei um cara que se apresentou como Alex, mas aqui eu sou o ‘Gato Estelar’. Ele me fez uma torrada com a inscrição Trust the dust e mussarela. Ficamos sentados embaixo de uma água-viva luminosa discutindo blues. Ele era desenvolvedor da Califórnia. Tinha o melhor chill out do acampamento
O lugar onde te dizem coisas boas
Numa das estações, dei de cara com o Compliment Bar. Ali as pessoas diziam algo gentil a desconhecidos que viam pela primeira vez na vida. A mim disseram: Você tem cara de quem dá pra confiar uma galáxia inteira. Dois dias depois, no mesmo lugar, encontrei um vovô fantasiado de sereia.
Capa luminosa, uma bicicleta-cervo e uma rave silenciosa
Encontrei uma mulher de uns sessenta anos que disse vir ao Burning pela oitava vez, porque aqui os homens escutam. Ela usava uma capa luminosa e pedalava uma bicicleta em forma de cervo. Me convidou para uma rave silenciosa — aquela em que todo mundo está de fone, mas grita do mesmo jeito. Foi maravilhoso.
A arte da dor e uma palma gigante
No terceiro dia de areia nos olhos, isotônico e papinha de manga de bebê no almoço, encontrei um cara que morou dois anos num mosteiro no Nepal e agora constrói obras de arte no formato das mágoas que não consegue soltar. Uma delas era uma palma gigante aberta com a inscrição Say it anyway. Ficamos só ali, parados, olhando.
Quando tudo se torna irreal
E à noite… à noite tudo se torna irreal. Fogo, luz, fantasias, danças, cheiros, sonhos. Tudo o que você pensava sobre si mesmo começa a se dissolver. E tudo aquilo de que você tinha tanto medo te abraça. Não é assustador.
Fogo, silêncio e aqueles que você não quer fotografar
E então tudo queima. Você fica diante do gigantesco Homem em chamas, e por dentro ondula um silêncio absoluto. Não porque está vazio. Mas porque está em paz.
Conheci pessoas com quem você não quer tirar foto — só quer ficar em silêncio ao lado. Ninguém escreve sobre elas nos posts. Mas é justamente por causa delas que talvez eu volte.