6 encontros em Sydney: uma cidade de contrastes e histórias inesperadas

8 de junho de 20252 min
6 encontros em Sydney: uma cidade de contrastes e histórias inesperadas

Nas primeiras semanas em Sydney, eu me sentia o tempo todo como se estivesse no ensaio de uma vida de revista. Todo mundo sorri, toma latte, anda descalço na grama e discute aiurveda com a mesma cara de quem está fazendo uma auditoria da Deloitte.

O surfista que escolheu as ondas em vez do banco

Conheci um surfista chamado Trev. Ele disse que antes trabalhava num banco, mas depois sentiu a energia das ondas e largou tudo. Enquanto tomávamos um smoothie, ele me perguntou qual era o meu signo e, quando ouviu que eu sou de Touro, disse: Ah, isso explica muita coisa. Até hoje não sei o que exatamente.

O beduíno digital de patinete

Num churrasco na casa de um conhecido, encontrei um senhor de meia-idade que contava ser programador aposentado e morar numa van. Disse que investiu em bitcoin em 2013, mas perdeu tudo na Dogecoin. Mesmo assim, estava feliz e se autodenominava beduíno digital. Depois foi embora da festa direto de patinete.

O festival das vibrações de pandeiro

Fui parar por acaso num festival de vibrações de pandeiro (não pergunte, eu achei que fosse um evento musical), onde me deram um tapetinho e pediram para eu ouvir com a coluna. Aguentei 12 minutos e depois fugi com a desculpa de que sou alérgico a energias.

A nutricionista com filosofia alimentar

Na praia, conheci uma garota que era nutricionista. Ela disse que carne é karma em forma de proteína e que se alimenta só de lua e sementes de chia. Fomos a um café, e ela pediu água sem flúor e uma salada sem pegada de carbono. Eu pedi uma pizza e virei, aos olhos dela, um homem do passado.

A startup de blockchain para cristais

Num evento de startups em Surry Hills, conheci um cara que estava criando um blockchain para rastrear cristais falsos. O pitch dele era convincente. Cheguei até a adicioná-lo no LinkedIn. Uma semana depois, ele se mudou para Bali em busca da verdade.

O aposentado que decidiu «morrer com estilo»

Conheci um aposentado da Tasmânia que disse ter se mudado para Sydney para morrer com estilo. Ele dava festas no terraço de casa e começava cada uma com as palavras: “E agora, como se fosse a última vez!” Ele sempre tinha a melhor música.

Conclusão: Sydney, a cidade que não se explica

Foi assim que Sydney ficou na minha memória. Uma cidade onde você pode começar a manhã com aiurveda e terminar de patinete rumo ao pôr do sol, sem nunca entender para que tudo aquilo serviu.
Aliás, dá para viver algo parecido também na Argentina!)